Artigos - O que Turra tem a dizer

Como o mundo vê o brasil 09.02.2014

Nos próximos meses, o noticiário será ocupado pelas campanhas eleitorais para a Presidência da República. Como sempre acontece, não faltarão inúmeras proposições para a economia. Como ex-ministro da Agricultura e, nos últimos seis anos, na condição de presidente da União Brasileira de Avicultura (UBABEF), visitei mais de 80 países, quando me dediquei também a captar a impressão de meus interlocutores estrangeiros sobre o Brasil. E gostaria de oferecer uma contribuição para o debate.

Uma percepção é imediata: o extremo interesse com a posição de nosso país como reserva mundial de produção de alimentos. Jamais ouvi perguntas sobre o futuro de nossa indústria automobilística ou mesmo sobre a exploração do pré-sal. Indagam, sim, a respeito do que estamos fazendo para garantir este nosso status no agronegócio. Afinal, enquanto em 1998 nossas exportações de carnes eram de US$ 1,6 bilhão anuais, em 2013 somaram US$ 16,5 bilhões.

O Brasil é visto como um país ainda pouco estável nas regras para os investidores. A burocracia e o “Custo Brasil” também são recorrentes no olhar estrangeiro sobre nosso país e mencionados como justificativas para que importantes empreendimentos em tecnologia e inovação, por exemplo, não sejam desenvolvidos aqui.

O mundo também vê o Brasil como um país ainda muito fechado. E meus interlocutores estrangeiros mencionam a nossa dificuldade em realizar acordos bilaterais. Enquanto isso, o Chile tem acordos com 90% do PIB mundial, incluindo os países da União Europeia.

O Brasil precisa perceber que corre o risco de ficar isolado. Isso é mais grave considerando que já estamos perdendo espaço no mercado internacional. No caso da carne de frango, segundo um estudo produzido pela UBABEF em parceria com a consultoria AgroIcone, não fosse a perda de competitividade poderíamos ter obtido receitas adicionais de US$ 1,650 bilhão e gerado cerca de 94 mil empregos diretos e indiretos nos últimos quatro anos. Para reverter isto, temos que reduzir o “Custo Brasil”.

Já atingimos uma posição de destaque entre as maiores economias do planeta; mas ainda é necessário um salto para que deixemos de ser uma nação periférica e nos tornemos, finalmente, o país do futuro. Uma preocupação que espero estar presente quando se iniciarem os debates da campanha eleitoral.

Francisco Turra - Presidente da União Brasileira de Avicultura (UBABEF) e ex-ministro da Agricultura

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