Artigos - O que Turra tem a dizer

Conquistas da carne suína brasileira 03.09.2014

A escalada tem sido consistente. Ter chegado à posição de quarto maior exportador mundial é conquista do Brasil obtida com seriedade, responsabilidade, inovação e cuidados especiais para preservar a qualidade e a sanidade da carne suína brasileira. O conjunto desses elementos funciona como um passaporte para o acesso a mais de 70 mercados, atualmente, entre eles Japão, Estados Unidos e Rússia.

A carne suína brasileira está no centro das atenções dos mercados internacionais. Por estar livre de enfermidades, como a diarreia suína epidêmica (PED) e a febre suína clássica, que prejudicam rebanhos em vários países, o Brasil é visto como fornecedor confiável.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), criada em 24 de março de 2014, vem reforçando e ampliando essas conquistas. Em quatro meses de existência, a entidade teve atuação destacada ao reiterar às autoridades brasileiras a necessidade de agir para evitar a entrada da PED, disseminada nos EUA, México, Colômbia, Peru e alguns países asiáticos.

Um dos principais desafios da ABPA, nos próximos anos, será conseguir que a Coreia do Sul, o México e a União Europeia comprem a carne suína brasileira. Negociações para tanto já estão em andamento.

O processo de negociação para a abertura de mercados é lento, em geral. No caso de Santa Catarina, principal estado exportador e produtor de carne suína, foi necessário, primeiramente, a obtenção do status sanitário máximo de livre de febre aftosa sem vacinação, concedido em 2007 pela Organização Internacional de Saúde Animal – OIE. Por ter uma condição sanitária diferenciada, Santa Catarina conquistou, recentemente, os mercados do Chile, EUA e Japão, que levam em consideração o status de estado livre de febre aftosa sem vacinação.

Falando em conquistas, em 1998 a exportação de carne suína brasileira estava concentrada na Argentina, em Hong Kong e no Uruguai. Os três mercados, juntos, respondiam por 95% das exportações brasileiras.

Hoje, o Brasil exporta para todos os continentes. Houve diversificação, também, de cortes suínos. Em 1998, o Brasil exportava basicamente carcaça; atualmente, as exportações abrangem cortes variados e miúdos, categorias que respondem por 85% das exportações.

Os volumes cresceram exponencialmente: o Brasil exportou 81.565 toneladas de carne suína, em 1998; em 2012, embarcou 581.477 toneladas – um aumento superior a 600%. Em 2014, a expectativa é que o ano termine com embarques de aproximadamente 600 mil toneladas.

Quanto à produção, em 1998, totalizava 2,49 milhões de toneladas. Em 2012, o Brasil produziu 3,49 milhões de toneladas, um aumento de 40,2%. Em 2013, a produção se manteve estável e, em 2014, a previsão também é de valores próximos aos de 2012 e 2013.

Manter-se em quarta posição como exportador não tem sido fácil para o Brasil, pois a indústria de carne suína perdeu competitividade nos últimos anos. A participação da mão de obra no custo de produção está muito semelhante à dos países concorrentes. Os custos de logística são bem mais altos do que os do principal concorrente, os EUA. O preço de produzir, no campo, se aproxima ao dos EUA.

É por essas razões que apresentamos propostas aos presidenciáveis para a adoção de políticas emergenciais voltadas ao aumento da competitividade no setor de proteína animal. Queremos seguir conquistando novos mercados com seriedade e responsabilidade!

Francisco Turra - Presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e ex-ministro da Agricultura

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